sábado, 30 de maio de 2009

A vida na aldeia

A aldeia onde a minha avó nasceu chama-se Aldeia de João Pires.A casa da minha avó era feita de pedra por fora, por dentro a sala e os quartos estavam forradas em madeira. A cozinha tinha paredes de pedra e por cima o telhado era só a telha, para, quando acendiam o lume, o fumo sair pelos buracos da telha. Não tinha casa de banho.A minha avó, como tinha 3 irmãs, algumas tinham de dormir na mesma cama ou então dormiam no chão, em cima de mantos.A roupa que a minha avó usava era simples e tinha que ter cuidado, para que durasse muito tempo, porque não tinham muito dinheiro.O ensino não era obrigatório e então a minha avó não foi à escola, ia ajudar os pais no campo.Quando já era mais velha, a minha avó foi trabalhar para a casa de umas professoras ricas e o que sabe hoje de letras e números foram elas que a ensinaram.






















Vanessa Borronha

Ocorrências extraordinárias de um militar


O meu avô é um ex-militar e chama-se Jaime Moura. Na caderneta militar, tem várias anotações, onde diz que esteve em Moçambique e em Angola, em comissão, e que era 1.º Cabo. O que está anotado nessas ocorrências encontra-se nesta página em baixo.“1959 – Fazendo parte nas manobras (a mais de 3 a 19 de Agosto). Passou objectivos e qualidades para frequentar a escola de cabos a que se refere o 1.º cabo em 23 de Novembro, desde quando consta a antiguidade.1961 – Passou as regras de cavalaria nº 3 em 30 de Junho. Desembarcou na província de Moçambique, em 21 de Julho, desde quando conta 20% de aumento no tempo de serviço.1962 – Autorizado o embarcamento de uma Ecc. Roc., por equivalência a seis meses de serviço, na P.M. de Moçambique, por despacho de 23 de Julho (Nota nº 28/30 de 23 de Julho da R.b.p./b.s.p./M.E.).1963 – Embarcou no porto da Beira de regresso à Metrópole, em 3 de Outubro, desde quando deixou de contar 20% de aumento, no tempo de serviço. Desembarcou, em Lisboa, em 23 de Novembro.1964 – Nomeado nos termos da alínea b, do nº 3 do doc. 42937 de 22-4-1960 para seguir na R.U. de Angola. Fazendo parte da cc5/B cav.ª 682, embarcou em Lisboa, em 9 de Maio. Desembarcou, em Cabinde, em 18 de Maio, desde quando conta 100% de aumento no tempo de serviço.1965 – Continua no serviço efectivo como readmitido por mais um ano, desde 1 de Abril. Passando a vencer o 1º ano do 2º período de readmissão.1966 – Continua no serviço efectivo como readmitido por mais um ano, no 2º ano do 2º período, desde 1 de Abril. Embarcou, em Luanda, em 2 de Julho, de regresso à Metrópole, desde quando deixa de contar 100% de aumento no tempo de serviço. Desembarcou, em Lisboa, em 11 de Julho. Transferido para o B.at. telegrafia em 28 de Julho. (Nota nº 33184 – 1º 2/2 – 4 da 1959/DSP/M.E. de 23-7-1966)1970 – Foi cedida licença para se ausentar definitivamente para a Alemanha Ocidental, em 18 de Abril.”



Vanessa Borronha

O meu avô, na guerra, na Cabinda



O meu avô chama-se Jaime Moura e, quando era mais novo, teve que ir para a Guerra do Ultramar, defender a colónia portuguesa de Angola.Alguns militares embarcaram num navio, em direcção a Angola, no qual ia o meu avô.Ao chegar, o meu avô desembarcou, mais os restantes militares, em Cabinda, num batelão, e daí foi para terra.Ao fim de seis dias após a chegada teve um rebentamento de mina, onde morreu um furriel. Não havendo muitos combates, alguns militares que formavam a companhia em que o meu avô estava trabalhavam nos caminhos velhos, para melhor comodidade.O meu avô dormia numa cama de ferro, a cozinha era ao relento, tinha que comer em marmitas e comunicava com a família por carta.Os militares foram surpreendidos várias noites pelos inimigos, mas não tiveram qualquer problema. Durante dois anos, fez muitas patrulhas, mas não havendo grandes problemas.Ao acabar a comissão, veio para Cabinda, para embarcar e serem substituídos por outros militares.





Vanessa Borronha